sábado, 4 de agosto de 2012

É o amor que floresce de criança

Éder Menegassi


Herdar o time de coração do pai é coisa incerta, ainda que verifiquemos o fenômeno ocorrendo às  pencas mundo afora. Mas essa é matéria obscura, primeiro porque a escolha pelo time que se vai torcer nem sempre vem do coração, há fatores externos que influenciam e muito. Segundo porque, se vem do coração, não teria que se falar em escolha; saltaria aos olhos tal qual o sorriso da mãe, a cor dos olhos da avó, ou seja, seguiria as feições determinadas pela genética.

Para não privilegiar a Teoria da Evolução das Espécies e, assim, evitar polemizar sobre a eterna dicotômica criação do universo, eu diria que todo torcedor deveria nascer fadado a se dedicar ao time que lhe coube à graça divina, inclusive Ele. Deus é Fiel. É nóis, mano.

Luquinhas tem 6 anos e essa decisão parece iminente. Por influência da avó materna ele se disse são paulino por algum tempo, coisa que, claro, nunca me arrancou um sorriso mas que contra a qual eu nunca lutei, justamente por acreditar no que acabei de dizer acima. Quando amigos e familiares, numa tentativa infrutífera de me fazer aceitar contrariado essa situação, pensava comigo mesmo: quero um  corinthiano legítimo, então, se ele for mesmo corinthiano, isso vai passar, é coisa de criança.
Qual não foi minha surpresa, certo dia em meados de junho, na semana do jogo contra o Santos, quando o pequeno se dirigiu a mim e afirmou, "pai, agora eu sou corinthiano". Foi o gol mais lindo do Corinthians. Comemorei como se estivesse no estádio e enfrentássemos um jejum de 23 anos sem títulos.

Eu, que até então havia marcado presença em todos os jogos do Coringão no Paca, pela Libertadores, decidi imediatamente que o próximo jogo assistiria ao lado dele. E assim o fiz. No final, vaga garantida. Ele viu um Corinthians guerreiro. Ele não viu motivo algum para torcer pelo Santos de Neymar. Ele viu um bairro em festa. Ele se viu feliz por ser corinthiano.

A decisão dele veio antes do título. Com a taça na mão, ele se sentiu um pouco mais feliz. Ele se sentiu orgulhoso.

O título da Libertadores não é a maior conquista de todos os tempos. O rebaixamento não é a maior derrota. Sua maior conquista é ser Corinthians, sua maior derrota seria(á) negá-lo. Sob qualquer aspecto, sob qualquer circunstância.

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